Mercado em Serrana (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)

A Polícia Civil instaurou um inquérito em Serrana (SP) contra um vereador suspeito de tentar atirar em um adolescente de 16 anos depois de receber dele uma nota falsa de R$ 100 para a compra de doces em seu mercado.



A mesma investigação apura a conduta de policiais militares, que não teriam informado a respeito dos disparos no registro da ocorrência, segundo o delegado José Augusto Franzine de Almeida.

“Ele [policial] teria que ter apresentado o adolescente e também o comerciante, inclusive com a arma. Inclusive o comerciante estava com uma arma sem registro, sem porte, e a população inteira ouviu os dois disparos”, diz Almeida.

A confusão aconteceu na tarde da última terça-feira (14) em um comércio do parlamentar Ricardo Adriano de Luna Farias (PPS), no Jardim Bela Vista. O menor, que confirmou ter entregado a nota falsa, não chegou a ser atingido.

Uma arma foi apreendida com o vereador após diligência da Polícia Civil no local. Farias foi preso em flagrante por porte ilegal e tentativa de homicídio, pagou fiança de R$ 5 mil e foi liberado.

Procurado pela EPTV, afiliada da Rede Globo, o parlamentar não quis gravar entrevista. À polícia, ele negou ter feito os disparos.

A Polícia Militar comunicou que, em nenhum momento, o adolescente falou aos PMs sobre os tiros, mas que abriu uma investigação preliminar para apurar a conduta dos agentes.

Confusão em mercado

O adolescente afirma que tinha ido ao mercado comprar doces com uma nota falsa que encontrou na rua. Ele conta que decidiu ir embora depois que o vereador confirmou que a cédula não era verdadeira e disse que chamaria a polícia.

O menor afirma que, no meio do caminho, foi surpreendido pelo parlamentar, que teria começado a persegui-lo de carro.

“Na hora que ele falou que ia chamar a polícia eu peguei e saí andando. Aí, na hora que eu virei a esquina, eu vi ele vindo de carro, peguei e sai correndo. Fiquei indo e voltando várias vezes, porque ele ia lá na esquina”, diz.

Os disparos, segundo o jovem, foram dados pouco depois de ele conseguir pular um muro e se esconder. Na sequência, o adolescente confirma que foi levado por PMs e que contou a eles sobre o que havia acontecido, inclusive sobre os tiros.

“Na hora que ele abaixou o vidro e sacou a arma, eu subi em um muro que tinha lá de uma casa que estava construindo. Na hora que eu pulei, ele atirou.”

Almeida relata que, pouco depois da confusão, ouviu moradores do Jardim Bela Vista comentarem que um adolescente tinha sido alvo de disparos. Ao chegar à delegacia, no entanto, o PM que apresentou o menor não mencionou os tiros, somente confirmados pelo adolescente, segundo o delegado.

Câmara de Serrana (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)
Câmara de Serrana (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)

O delegado afirma que, em seguida, foi com sua equipe ao mercado, onde prendeu o comerciante e aprendeu com ele a arma sem registro.

“O menor não estava armado, estava sozinho, não tem histórico de violência, e a reação do comerciante, na minha opinião, na opinião da Polícia Civil, foi totalmente desproporcional ao fato”, disse.

Polícia Militar

Em nota, a PM informou que, no dia 14, às 15h, os policiais foram acionados para verificar a fuga de um indivíduo pelos telhados da Rua Paraíba, em Serrana. Durante a ocorrência, informa que a equipe conseguiu abordar o adolescente com duas notas aparentemente falsas.

Ele foi conduzido à delegacia e as cédulas foram apreendidas.

“Os policiais militares alegaram que em nenhum momento o menor disse ter sido vítima de disparos de arma de fogo”, informou.

Em vista das alegações da Polícia Civil, uma investigação preliminar foi instaurada na PM.

O delegado José Augusto Franzine de Almeida, de Serrana (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)
O delegado José Augusto Franzine de Almeida, de Serrana (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)