Chupetas, escovas de dente, garrafinhas e 'cheirinhos' foram analisados em pesquisa de Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

ngana-se quem pensa que um produto novo, protegido por uma embalagem, é sinônimo de limpeza ou esterilização. Nem sempre. Um estudo feito em Campinas (SP) com escovas de dente de crianças e chupetas recém-compradas apontou uma contaminação de mais de 720 milhões de fungos e bactérias. O risco supera o dos itens usados e higienizados em casa.

A análise foi feita pela Faculdade de Biomedicina da Devry Metrocamp e também incluiu bicos de mamadeira, garrafinhas tipo squeeze de crianças e aqueles “cheirinhos” (paninhos ou bichinhos de pelúcia) que os pequenos se apegam tanto a ponto de ser difícil colocar para lavar com frequência.



Entre os micro-organismos encontrados, Rosana Siqueira, doutora em microbiologia pela Unicamp, professora e orientadora da pequisa, alerta para o risco de infecções de garganta, intestino, urina mucosa, pele, além de diarreia, febre, dores abdominais, gengivite, cárie, otite e até pneumonia.

“Estão relacionados principalmente com a falta de higienização. […] A quantidade de bactérias chama a atenção. Se a criança está trocando os dentes, com alguma lesão na gengiva, a boca dela está exposta”, alerta a pesquisadora.

Escovas lacradas e usadas

Ao todo, 44 escovas de dentes de marcas diversas foram analisadas. Entre os 20 modelos novos, foi encontrada contaminação em 77% delas, chegando à marca de 250 milhões de micro-organismos.

“Muitas vezes a gente compra a escova já contaminada e, quando a gente faz a higienização [nos dentes], nós aumentamos ainda mais, porque a gente tem as bactérias normais da boca. Por outro lado, as bactérias que estão na escova vão para a boca, então fica uma troca que não é boa”, afirma Rosana.

As 24 escovas de dentes já usadas pertenceram a nove crianças – com idades entre 4 e 10 anos -, e foram estudadas após períodos e situações diferentes de uso. Em um mês, parte delas foi higienizada com enxaguante bucal à base de clorexidina (antisséptico químico, com ação antifúngica e bactericida), outra parte com enxaguante bucal comum e uma terceira parte não foi higienizada.

Com exceção das escovas expostas à clorexidina, as demais tiveram contaminação inclusive por bactérias mais temidas, como a Klebsiella pneumoniae, que possui tipos considerados superbactérias multirresistentes a antibióticos. Outros contaminantes foram Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria oportunista que causa infecções; e E. Coli, indicadora da falta de higiene.

“Geralmente a criança vai ter uma escovinha em casa e outra para levar para a escola. A da escola é preocupante, porque muitas vezes ela nem seca e coloca no estojo, abafado e fica dentro da mochila. Isso faz com que os micro-organismos tenham um ambiente favorável para se proliferar”, alerta a pesquisadora.

A boa notícia é que, segundo a pesquisadora, os fungos e bactérias encontrados não resistem às altas temperaturas, e ferver os objetos após o uso garante uma boa esterilização. A clorexidina pode ser usada como opção à fervura, de preferência diariamente.



Escovas de dente usadas foram analisadas na pesquisa feita em Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)Escovas de dente usadas foram analisadas na pesquisa feita em Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Escovas de dente usadas foram analisadas na pesquisa feita em Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Chupetas e bicos de mamadeira

Tão comum quanto comprar uma escova de dente e não se preocupar em higienizar antes de usá-la pela primeira vez é a situação de ter um bebê ou criança aos prantos por ter perdido a chupeta. Comprar uma nova e dar uma “lavadinha” na água da torneira pode ser um alívio, mas representa risco para a saúde.



As chupetas novas foram as vilãs do estudo, com nada menos que 720 milhões de bactérias, provenientes da fabricação e armazenamento desses objetos. Ao todo, 24 modelos foram analisados.

Escovas de dente usadas foram analisadas na pesquisa feita em Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)Escovas de dente usadas foram analisadas na pesquisa feita em Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Escovas de dente usadas foram analisadas na pesquisa feita em Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Chupetas e bicos de mamadeira

Tão comum quanto comprar uma escova de dente e não se preocupar em higienizar antes de usá-la pela primeira vez é a situação de ter um bebê ou criança aos prantos por ter perdido a chupeta. Comprar uma nova e dar uma “lavadinha” na água da torneira pode ser um alívio, mas representa risco para a saúde.

As chupetas novas foram as vilãs do estudo, com nada menos que 720 milhões de bactérias, provenientes da fabricação e armazenamento desses objetos. Ao todo, 24 modelos foram analisados.

“Foi surpreendente. Essas bactérias são resistentes, porque algumas das chupetas foram fabricadas em 2014. Não tem alimento, água para seu desenvolvimento e, mesmo assim, elas estão lá”, explica a pesquisadora.

Nas outras sete chupetas usadas que passaram por testes – de bebês recém nascidos até crianças -, e costumavam ser higienizadas, havia mais de 100 mil micro-organismos.

Foram encontrados E. Coli, bactéria proveniente do intestino, Staphylococus aureus, a Candida albicans, que também faz parte da microbiota, a Klebsiella pneumoniae e a Acinetobacter, uma bactéria oportunista que pode causar bronquite, pneumonia e infecção urinária.

As análises feitas em bicos de mamadeira usados também surpreenderam, com mais de 100 mil fungos e bactérias.

“Os mesmos micro-organismos da chupeta estavam no bico da mamadeira, o que nos leva a entender que há uma contaminação cruzada. Ou eles estão vindo da criança, ou do bico da mamdeira, até da mãe que prepara o produto. […] O ideal é deixar ferver em água bem quente”, alerta Rosana.

A especialista ressalta, ainda, que as mamadeiras usadas não devem demorar muito para serem lavadas, pois o resíduo do leite permite a alta proliferação de bactérias.



Chupetas usadas e higienizadas em casa têm menos contaminação que as novas, aponta estudo de Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Chupetas usadas e higienizadas em casa têm menos contaminação que as novas, aponta estudo de Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

‘Cheirinhos’

Os bichinhos e paninhos que algumas crianças não largam de jeito nenhum, conhecidos como “cheirinhos”, não escaparam da pesquisa. Seis objetos, alguns até encardidos, foram analisados, alcançando contaminação na casa dos 32 mil micro-organismos.

“O que preocupa bastante são os fungos, em torno de mil bolores, que em geral são provenientes da microbiota da criança. […] Eles e as bactérias se multiplicam e podem provocar alergias. Acaba prejudicando a vida da criança e a mãe nem percebe. […] É importante que faça a higienização, lavar e deixar secar muito bem”, explica a professora.

Número de bactérias e fungos encontrados nos produtos infantis ultrapassa 720 milhões de micro-organismos (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Número de bactérias e fungos encontrados nos produtos infantis ultrapassa 720 milhões de micro-organismos (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Garrafinhas

Como parte da pesquisa de graduação, os estudantes de biomedicina da Devry Metrocamp Cléber Silva, que idealizou o estudo, e Thaizy Ramires analisaram 21 garrafinhas tipo squeeze, sendo oito de crianças. A contaminação, de mais de 10 mil fungos e bactérias foi encontrada no corpo das garrafas e nos bocais.

“Dentro delas encontramos E. Coli, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, leveduras e bolores, entre elas a Candida albicans. Pode causar diarreias, vômitos, dores abdominais. Como são de crianças, elas não têm noções de higiene ainda”, explica Thaizy.

Além da higienização correta, as garrafas não devem ser guardadas ainda úmidas. [Veja como fazer a limpeza no vídeo no início da reportagem]

“Vi minha sobrinha com essa garrafa e as amigas dela. Tive a curiosidade de abrir a tampa e vi os micro-organismos crescendo. […] Vi os pontinhos pretos. A pessoa está com muita pressa e acaba não prestando muita atenção […] Acaba ‘bebendo’ bactérias”, completa Silva.

Pontinhos pretos na boca da garrafa representam proliferação de micro-organismos (Foto: Patrícia Teixeira/G1)

Pontinhos pretos na boca da garrafa representam proliferação de micro-organismos (Foto: Patrícia Teixeira/G1)