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Um dos autores do pedido para ouvir o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) admitiu “excessos” na reunião da Comissão de Segurança Pública da Câmara que terminou em bate-boca na quarta-feira. Na ocasião, o ministro acusou o deputado Givaldo Carimbão (PHS-AL) de o ofender depois que o parlamentar questionou se ele aceitaria ter a sua mãe exposta de “pernas abertas”.

O objetivo da reunião era discutir se havia algum tipo de crime nas exposições Queermuseu, em Porto Alegre, e La Bête, no Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo. As mostras foram criticadas por suposta apologia à pedofilia.

A discussão aconteceu depois que Carimbão criticou o uso de imagens sacras em uma exposição. “Eu tenho duas mães, Maria de Deus Gouveia, que me gerou pelo ventre e, na minha doutrina de fé, tenho Maria Santíssima Imaculada Conceição. Eu queria que fosse com a mãe do ministro, mijando na cabeça dela. Eu queria pegar a mãe do ministro e botar com as pernas abertas (para saber) se ele gostava”, disse o deputado.

Sá Leitão se levantou e, aos berros, ameaçou deixar a comissão. “O senhor ofendeu a minha falecida mãe. Eu não admito”, respondeu o ministro. A discussão foi antecipada pelo site da Coluna do Estadão, na quarta-feira.

Fraga afirmou que ligou para Sá Leitão e se desculpou “pela atitude impensada do deputado, que atingiu a família do ministro”. “Acho que o deputado se excedeu. O exemplo que ele deu, embora a gente entenda o que ele quis dizer, acabou atingindo a mãe falecida do ministro. Não ficou bem”, disse o parlamentar do DEM, que também preside a comissão. “Eu que sou considerado uma pessoa meio rude fiquei incomodado.”

Em nota, o Ministério da Cultura afirmou que Sá Leitão “reitera seu respeito a todos os parlamentares e ao Congresso”.

Tensão

Segundo Fraga, os ânimos estavam exaltados desde o início da sessão. Antes do episódio envolvendo o ministro da Cultura, a comissão já havia sido palco de uma discussão mais ríspida, que quase terminou em agressão, entre os deputados Glauber Braga (PSOL-RJ) e Éder Mauro (PSD-PA).

Durante a briga, Éder disse: “Não tenho um pingo de medo de ti. Nem de ti nem de ninguém”. Glauber retrucou: “Vai me bater? Experimente que quero ver se você é homem”. Ao tentar encerrar a discussão, Fraga disse: “No meu tempo se resolvia isso na bala, agora tem que ficar falando”.

Braga defendia as mostras como exposição de arte. “Enquanto houver patrocínio da Lei Rouanet, vamos ter que tomar uma providência”, disse Fraga, fazendo coro ao grupo que defende suspender incentivos a exposições que, segundo ele, atentem contra os “bons costumes”. Para Braga, que deixou a sessão após a discussão, o objetivo é tirar o foco do que importa, como o combate ao trabalho infantil.