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O peruano Watson Franklin Mandujano Doroteo, de 24 anos, estava sendo velado pela família e amigos na última sexta (21). O rapaz tinha sido declarado morto no Hospital Contingência da cidade de Tingo María, região central do Peru. No meio de seu velório, no entanto, o inesperado ocorreu. Uma parente que veio de Lima, a capital, levantou a dúvida: cochichou a outro familiar sobre a possibilidade de Franklin estar vivo. “Ele está respirando, vejam!”, alguém berrou. Presentes ao velório ficaram chocados e se desesperaram. “Nós já íamos fechar o caixão”, disse um deles.

Chamaram um médico, que constatou: Watson, deitado no caixão, estava respirando. O rapaz foi, de novo, levado à pressas a um hospital. Mas essa história inacreditável, retratada por câmeras de celulares e emissoras de TV, teve um desfecho trágico.

O drama do peruano começou numa simples ida ao dentista. Na quinta (19), dois dias antes do velório, o rapaz tinha ido ao consultório para fazer uma extração. Tomou anestesia antes de fazer o procedimento. Mas a operação foi desastrosa.

A família do rapaz contou à reportagem do jornal Diario Correo que Watson não teve o dente extraído. O dentista errou ao manipular os instrumentos e feriu a raiz. Ele deu mais remédios ao rapaz. O peruano não reagiu bem à medicação excessiva: começou a sentir náuseas, calafrios e febre, como contou sua mulher (que não teve o nome informado) ao diário peruano.

O rapaz foi levado, segundo familiares, ao Centro de Saúde de Aguaytía e dali encaminhado ao hospital. Watson havia piorado: teve convulsões e sua febre aumentou.

No Hospital Contingência de Tingo María, a equipe médica deu ao paciente injeções de diazepam, um forte sedativo e calmante. Ele ficou internado mais de 24 horas, e recebeu nesse período mais doses do mesmo remédio.

Os médicos declararam, às 4h10 da madrugada do dia 21, que Franklin havia morrido. Às 6 da manhã, lembra a família, o rapaz já tinha sido levado ao necrotério. Parentes, chocados, providenciaram os preparativos para o funeral.

Familiares, como a irmã de Watson, se queixaram aos médicos que não foi pedida uma necrópsia. Também alertaram à equipe do hospital: o corpo de Watson estava quente, como se ele estivesse ainda sedado. Os médicos rebateram dizendo que ele morrera, lamentaram e insistiram para que o levassem para o funeral.

Familiares, vizinhos e amigos, desolados, compareceram em peso ao funeral de Watson, sob um clima de perplexidade e comoção. Durante o velório, uma parente (que também não teve o nome divulgado) percebeu que Watson respirava. Observou ainda que o rapaz até suava. Houve um rebuliço no velório. Parentes se desesperaram. Alguns tentaram acordar Watson. Até que um presente chamou um médico particular.

Logo ao chegar, sem examinar o rapaz, ele notou que Watson tinha sinais vitais. Avaliou e constatou que o peruano estava, sim, vivo. Parantes correram e levaram o rapaz exatamente nessas condições até uma caminhonete.

A notícia se espalhara pela cidade de pouco mais de 50 mil habitantes. Emissoras de TV chegaram a registrar parentes levando Watson para o hospital. O veículo seguiu correndo ao hospital EsSalud.

Quando foi levado à emergência, a família, que alimentara esperanças de ver o rapaz com vida, ouviu a notícia trágica: ele foi declarado morto mais uma vez. Os médicos que o atenderam disseram que ele não resistiu: morreu assim que deu entrada ao hospital.

“Ele teve uma reação ao excesso de medicamentos e não foi tratado a tempo. Se ficasse no hospital no dia em que foi equivocadamente dado como morto, teria sobrevivido”, disse um dos médicos. Um dos enfermeiros do hospital declarou que Watson morreu no caminho do velório para o hospital.

Parantes organizaram um protesto em frente ao Hospital Contingência, onde Watson teve o óbito declarado pela primeira vez. Acusaram os médicos de negligência. O diretor do hospital prometeu uma investigação do caso. A polícia também está apurando o episódio. O dentista de sobrenome Chamorro Gómez também será ouvido pela polícia e investigado.